Início de ano letivo 2016/2017

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Por cá já se iniciou o ano letivo! :) Com alegria e trabalho a valer.

Julho foi o mês do planeamento e organização, e agosto o das férias em família. Houve viagens, praia, campismo, dias em família sem tecnologias (nem sequer eletricidade🙂 ), dias com amigos, dias de arrumações e jardinagem, dias de jogos, risos e abraços todos juntos…tão bom! É o mês que nos enche as baterias para mais um ano!

Este é o nosso primeiro ano, de forma mais formal, com a nossa filha mais velha -o 1º ano.

O pai presenteou o nosso 1º dia com estas pinturas na parede de tinta de ardósia (fácil e barata).

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A chamada para a escola (às 8.30h) é feita com uma música previamente escolhida pelas meninas para o efeito. Um horário colorido e com imagens (afixado na sala e no quarto) ajuda-as a recordar as tarefas prévias: pequeno-almoço, lavar cara e dentes, vestir e arrumar a cama , um pouco de brincadeira e chegou a hora tão desejada…

A música ecoa pela casa e aparecemos todas a cantar e a dançar na sala. Com o final da música, chega a hora de nos sentarmos no tapete e dá-se início ao período da “cesta surpresa” ou  “morning time” (período inicial da manhã de cerca de 30 minutos em que oferecemos o dia, rezamos e aprendemos um pequeno versículo, ouvimos uma história bíblica, uma poesia, uma história da vida de Jesus, e surge uma pequena catequese que venha a propósito dos temas anteriores,…)

Para descobrirem o que estava na cesta do “morning time” perguntei:

– Nesta cesta estão livros que nos ajudam a conhecer o que temos de mais importante na nossa vida. Sabem o que é?

Resposta pronta da minha filha (de quase, quase 6 anos) – Jesus!

Não é de uma mãe ficar feliz?!😀

“Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna”. João 6, 68

 

Também as regras e os objetivos pessoais foram questionados. As regras sofreram pouquíssimas alterações do que a minha filha propôs inicialmente … presumo que as crianças tenham um sentido de justiça e ordem bem apurado🙂

Já alguns objetivos precisam de alguns ajustes … parecem-me um pouco irrealistas…também faz parte…sonhar faz parte de ser criança! E quem sabe, se não é a adulta que precisa de sonhar mais alto!🙂

Com o entusiasmo de quem quer aprender, com as regras estabelecidas e com os objetivos na mira, estamos prontas para este ano!

Bom ano letivo a todos!

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Instantes – Ensino doméstico

Contar histórias

Ao observar algumas fotografias, tentei categorizá-las, considerando a modalidade de ensino doméstico. Aqui fica, como vivemos o ensino doméstico, em registo fotográfico!

Uma das melhores coisas que tem acontecido até agora é perceber que cada criança pelas suas atitudes e comentários quer aprender!

Não, não apenas, e somente, o que quer. Não. É aprender porque quer. Deseja saber mais, explorar. Existem regras, limites e propostas de trabalho, pois claro! E o mais desafiante é mesmo saber parar.

Mas, não imaginem o nosso modelo de ensino doméstico como uma escola convencional. Há sim – horários para atividades de aprendizagem estruturadas (fora e dentro de casa), para os passeios com os amigos, para realizar as diferentes tarefas que cada um é responsável.

Mas a verdade, é que não há horários para aprender. A aprendizagem não se finaliza, é um processo contínuo. E está presente todo o dia de forma mais ou menos formal.

Aprender não deve ser uma dissonância entre livros, matérias curriculares e vida. Deverá ser uma belíssima complementaridade. Para isso acontecer, devemos juntar gosto e vontade, tempo para observar e escutar com atenção, aprender e ensinar de forma desafiante, criativa e motivadora.

Se, por um lado, nos interessa conhecer as metas curriculares de cada ciclo para orientar a aprendizagem, também é verdade, que a aprendizagem tenta ser o menos possível, espartilhada em disciplinas. Pretendemos um conhecimento unificado, crítico, que produza sabedoria.

Como fazemos?

Tudo resulta de vários fatores, mas no nosso caso, e correndo o risco de simplificar demasiado, aqui ficam 5 fatores principais.

1- Talvez uma das coisas mais importantes tenha sido a  leitura desde tenra idade. Todos os dias, lê-mos muitos contos, poesia. Se tivesse, que dizer qual o livro favorito deste momento (baseado no número de vezes que o leio em voz alta) diria: “Fada Oriana”. Estranhamente, só aparece no plano nacional de leitura no 5º ano.

O desejo de aprender a ler aparece muito cedo, porque querem ser autónomos nessa maravilhosa “janela” que é a leitura. Recontar o que ouviram, questionar e discutir a interpretação do que foi lido, faz parte deste processo.

E a mais nova, já “lê” histórias, nas brincadeiras de faz de conta – que sou mãe😉

 

2- Aproveitamos a natureza, as diferentes estações e a beleza e variedade que ela nos oferece. Por um lado, o movimento gera aprendizagem cognitiva. Não só em aulas estruturadas de ballet ou natação… mas principalmente na exploração do meio que nos rodeia. A exploração pelos sentidos da fauna, flora, do céu proporcionam questões riquíssimas e inúmeros projetos de aprendizagem com leituras apelativas. É também importante contemplar e conhecer a natureza para sermos respeitadores desta magnífica criação. É sempre uma belíssima forma de estarmos em família e com amigos. E mais perto de Deus.

 

 

3 – Fazemos visitas temáticas.  E durante as visitas,”perdemos tempo” a conversar (aprender com o outro) e a conhecer pessoas com vidas tão diferentes da nossa. O nosso património é riquíssimo e a História e cultura aprendida pela leitura e visita dos locais e conhecimentos dos habitantes, onde se passaram aquelas aventuras, tem outro impacto.

O conhecimento da nossa História tem recursos muito interessantes para crianças mais pequenas, levando a um conhecimento estruturado e não “debitado” num penoso semestre. Neste momento, estamos a usar estes aquiaqui e aqui e ainda este.

4- Aproveitamos todos os recursos humanos (avós, amigos, famílias, tios, irmãos, professores, conhecidos, desconhecidos) e materiais disponíveis, para nos ajudarem neste processo maravilhoso de: descobrir, analisar, pesquisar, experimentar, adquirir, consolidar, relacionar, integrar e utilizar conhecimentos e competências.

 

5- Por fim, mas não o menos importante cultivamos a nossa vida interior, por meio dos sacramentos e da oração pessoal e familiar. E, o tempo litúrgico é uma ferramenta pedagógica tão rica!

 

Porque é que a lua se pode ver de dia?

Viagem pelo sistema solar

–  Mãe, porque é que em alguns dias vemos a lua durante o dia?

São perguntas deste tipo que nos levam à descoberta! É o método científico em potência.

Da observação do que o rodeia, da curiosidade, o homem levanta hipóteses. Existe um problema a resolver, uma teoria a desenvolver!

A ciência resulta da observação e experimentação ética. Os resultados credíveis não são fruto de “fast science”. Atualmente, a “ciência” aparece em qualquer lado, tantas vezes mascarada de doutora, não passa de uma miserável equivalência à pré-escola.

Temos de ser criteriosos com as fontes que consultamos. Atualmente, existe muita informação acessível mas também alguma (ou muita) pouco credível ou até completamente errada. E tantas vezes essa informação inunda o pensamento de uma sociedade demasiado veloz e também por isso pouco reflexiva.

Se queremos criar um espírito crítico nos estudantes temos de proporcionar espaço e tempo para a observação, para a criação de hipóteses, para a pesquisa, para a elaboração de uma teoria. Oportunidades, otimismo e dedicação desenvolvem o raciocínio, assente numa sólida formação integral. Foi assim, que se criaram teorias como a do Big Bang pelo Padre Georges Lemaître  (astrónomo e físico).

Nas crianças, é tão interessante observar que elas “criam” os problemas. A sua curiosidade é  natural e as suas questões pertinentes. Se tivermos isso em consideração, percebemos que a tarefa de ensinar está muito facilitada. É só ter o cuidado de não aniquilar a curiosidade – “motor de arranque” da aprendizagem e da motivação!

Respostas como: “Um dia quando fores mais velha, veremos isso!” estão assim, logicamente, fora de questão…desprezaria a curiosidade e consequentemente o gosto por aprender.

Salientei que a questão, era de facto muito gira, e que teria de estudar para lhe dar uma resposta segura. Foi o que aconteceu. O tema foi debatido em família de forma muito animada neste domingo, com o nosso filho mais velho. Depois apresentei-o às meninas (2 e 5 anos) com este programa, partes dos vídeos, experiências, e com muita brincadeira. A brincadeira e o jogo são formas naturais das crianças aprenderem.

Alguns santos, como São João Bosco podem ensinar-nos isso mesmo e muito mais! Aqui fica um pouco do seu método. São métodos eficazes e atuais que nos ajudam a educar com alegria as nossas crianças e jovens abrindo os seus corações à graça divina.

E assim foi o nosso estudo:

1º- Oferecemos as nossas “missões espaciais” a Maria e pedimos-lhe proteção.

Tínhamos de nos preparar para as missões que seriam muito difíceis! Para irmos com confiança cantámos com alegria 2 cânticos. Imprimimos as letras aqui.

Preparação da Viagem ao Sistema Solar

2- Aprendemos porque é que se pode ver a lua durante o dia, mas também sobre a sua órbita e as suas fases.

3- E chegámos ao sistema solar!  A brincar aos astronautas, visitámos e aprendemos sobre planetas em duas manhãs de brincadeira!

3- Para descolarmos a nave também tivemos de contar de forma regressiva: “10,9,8…0!!!”

4- Divertimo-nos imenso!

A título de exemplo; a nossa sala era a Nasa.

Os astronautas tinham de aprender tudo sobre as missões. Tinham de fazer provas teóricas (pintar os planetas e numerá-los) e físicas (…5 flexões, a cambalhota…).

Depois da preparação inicial e com confiança cantámos com alegria.

O comandante da Nasa (a mãe), dizia à tripulação (as filhas) da nave espacial:

– Vamos em missão até Júpiter, o maior planeta do sistema solar. Têm de ter cuidado com as tempestades e com as várias luas que orbitam o planeta! Tragam amostras de pedras e poeiras! Esta missão é muito perigosa, têm de ser corajosas!

No regresso, as astronautas tinham de apresentar as amostras (todos os objetos que se lembravam de colocar na mala das recolhas…sim…equivale a desarrumação ) e o relatório da viagem🙂

E fizemos missões desde Mercúrio até Neptuno…e está prometido que veremos Vénus no céu e que vamos observar e registar as fases da lua todas as noites durante 1 mês😉

E a seguir, que projetos virão? É só ouvir atentamente e deixar correr a imaginação…

Boas brincadeiras e jogos que é como quem diz: boas aprendizagens!

 

 

 

 

Em Maio, todos os caminhos vão dar a Maria!

Maria

Neste mês dedicado a Maria, todos os carinhos que lhe possamos dedicar fazem as delícias desta nossa querida Mãe. E, ao mesmo tempo fazem-nos crescer nessa amizade que nos guia o caminho.

Em família e com uma família amiga visitámos um Santuário Mariano.

No Santuário, perguntámos às crianças se gostariam de dirigir uma dezena do terço.

A intenção inicial era motivá-las e rezar uma dezena. Mas, de dezena em dezena, quiseram rezar o terço completo!

Quem entrava, olhava com ternura, aqueles pequeninos que oravam e orientavam com empenho e carinho cada Avé-Maria, cada jaculatória.

Que ternura, aquela imagem! Sem as complicações dos adultos, sem vergonhas ou receios. Pura e simplesmente, as crianças usam a linguagem do amor.

Eu fiquei envergonhada mas feliz! Avaliei tão por baixo as suas capacidades. Uma dezena, foi o objetivo que tinha traçado inicialmente…como me enganei redondamente!

O terço é a oração de quem se enamora com Maria e uma criança sabe-o muito melhor que um adulto. Os seus olhos estão límpidos e ligados ao coração.

Claro, que não é todos os dias que querem rezar o terço! Cá por casa, as mais pequenas brincam enquanto rezamos ou pintam os mistérios desse dia, ou levam colo e mimos, e de vez em quando, querem rezar uma Avé-Maria. E, saem do colo e brincam mais um pouco…ou fazem uma oração e uma pintura para o oratório familiar. E fazem barulho… muito!! Cada vez, menos🙂 Mas, estão sempre presentes e alegres. E isso, é que importa.

Mas naquele dia tão especial, aos pés de Maria e de Jesus Sacramentado, uma dezena saberia realmente a pouco! E assim foi🙂

Jesus e os pequeninos 

Apresentaram-lhe uns pequeninos para que Ele os tocasse; mas os discípulos repreenderam os que os haviam trazido. Vendo isto, Jesus indignou-se e disse-lhes: «Deixai vir a mim os pequeninos e não os afasteis, porque o Reino de Deus pertence aos que são como eles. Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como um pequenino, não entrará nele.»

Depois, tomou-os nos braços e abençoou-os, impondo-lhes as mãos.

Mc 10, 13-16

 

 

Escolher … o sol!

Dia da Espiga 1

Hoje o dia não acordou animado… metereologicamente falando!🙂

Mas a animação, não depende do estado do tempo, ou de outros tantos fatores externos que nos podem influenciar. A animação vem da escolha certa.

Uma escolha certa, também não significa, a mais fácil. Mas, é sem dúvida, a que mais nos convém para crescermos em plenitude. O ânimo decorre da livre escolha de entregarmos a nossa vida como uma oferta maravilhosa aos outros, por Deus.

Por isso, faça chuva ou faça sol, a recompensa dessa entrega veio hoje na forma:

  • de uma carta deliciosa oferecida por uma amiga das minhas filhas,
  • de sorrisos,
  • de conversas animadas,
  • de pessoas que se conhecem,
  • da partilha que saboreámos no clube de olaria.

Olaria

E ainda, quando cumprimos a tradição de fazer o ramo da espiga (numa trégua da chuva que teima em continuar) recordando antigas tradições e falando da Ascenção de Jesus ao céu.

Dia da Espiga 1

Ao fazermos os ramos, lembrei-me na delicadeza de uma doente que conheci. Todos os anos, nos ia entregar no serviço (do Hospital onde trabalhei durante 11 anos) um ramo para cada pessoa.

Nunca se esquecia de ninguém nesse gesto. Um gesto tão simples e ao mesmo tão cheio de generosa afetividade e gratidão. Foi com a recordação de pessoas tão generosas e que foram mestres na arte da entrega e do amor que o meu pensamento se deteve.

Dia da Espiga 2.jpg

Agradeço, ter conhecido e aprendido com tanta gente boa que o que conta na vida, são gestos simples mas tão cheios de plenitude. Que o que conta é amar. Amar sem limites.

Claro, que na minha imperfeição, estas são, palavras ambiciosas. Embora o saiba e conheça os meus erros e limitações gosto de colocar no horizonte estas metas. Por muito ambiciosas que pareçam (e são!) norteiam as minhas escolhas diárias e futuras. E um dia de cada vez, peço ajuda e tento fazer e ser, um pouco melhor.

É preciso amar, pois Deus é amor – Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo aquele que ama nasceu de Deus e chega ao conhecimento de Deus. Aquele que não ama não chegou a conhecer a Deus, pois Deus é amor.

E o amor de Deus manifestou-se desta forma no meio de nós: Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito, para que, por Ele, tenhamos a vida. É nisto que está o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele mesmo que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados.

Caríssimos, se Deus nos amou assim, também nós devemos amar-nos uns aos outros.
A Deus nunca ninguém o viu; se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e o seu amor chegou à perfeição em nós. Damos conta de que permanecemos nele, e Ele em nós, por nos ter feito participar do seu Espírito.

Nós o contemplámos e damos testemunho de que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. Quem confessar que Jesus Cristo é o Filho de Deus, Deus permanece nele e ele em Deus. Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele. Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele.

É nisto que em nós o amor se mostra perfeito: em estarmos cheios de confiança no dia do juízo, pelo facto de sermos neste mundo como Ele foi.

No amor não há temor; pelo contrário, o perfeito amor lança fora o temor; de facto, o temor pressupõe castigo, e quem teme não é perfeito no amor.

Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro. Se alguém disser: «Eu amo a Deus», mas tiver ódio ao seu irmão, esse é um mentiroso; pois aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. E nós recebemos dele este mandamento: quem ama a Deus, ame também o seu irmão.

1 Jo 4 (7-21)

 

 

Ensino “doméstico”. Mas pouco…

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Têm sido dias, semanas e meses atarefados. Os dias passam a correr!

São tantas atividades fora de casa, que por vezes pergunto, quem se terá lembrado do termo “ensino doméstico”! De “doméstico”, isto por cá, tem pouco…por vezes tão pouco, que a mais velha me diz:

– Mãe quando é dia de ficar em casa?

– Porquê filha?!

– Porque me apetece ficar um dia só a brincar lá em casa.

Suspiro de alívio. Confesso, que também eu!! Mas…

Temos saídas programadas com diferentes grupos de crianças e agentes educativos, para brincar, aprender e conviver em 3 dias da semana. Além disso, temos atividades desportivas e artísticas: a natação, o ballet e o piano.

Outros dias, recebemos os amigos e fazemos um dia de brincadeira cá em casa. E assim, se fortalecem amizades.

E há também dias maravilhosos com a avó paterna. São aguardados com muita expectativa. É uma avó dotada de grande imaginação. Em que muitas tardes se transformam em pura magia; com palácios, princesas, vestidos, histórias e gentilezas.

A avó materna tem outras especialidades: a arte culinária feita com muito amor, os beijinhos repenicados, o mimo dado num colinho prolongado e saboroso ou num ralhete de quem ama muito!

Como todos sabem, os mimos de avó são mimos com açúcar e sempre muito apreciados por todos!

O nosso planeamento é realmente intenso e ambicioso. Por isso, no centro do planeamento diário está a Missa, sempre que possível. A Eucaristia, fortalece e desenvolve a nossa relação com Deus e ajuda-nos a não perdermos o rumo. Se tudo falhar num dia mas tivermos ido à Missa, pelo menos, o mais importante foi feito!

E há sempre tantas perguntas! A principal neste momento tem sido:

-Mãe porque ainda não posso receber Jesus?

-Mas tu recebes filha. Recebes Jesus no teu coração.

– Mas queria receber como tu!

Percebo, que a explicação vai ter de começar a ser mais elaborada. Lembrei-me do desejo crescente que também senti enquanto me preparava para comungar pela primeira vez. Foi há quase 4 anos. Foi o culminar de uma preparação intensa e muito desejada. Contei com a formação de várias pessoas muito generosas e pacientes. Desse tempo, ficaram amizades muito boas. Mas também me lembro que essa espera e preparação foram importantes, por isso, digo:

– Tens de crescer um pouco mais para comungar. Para perceberes melhor o que vais fazer, filha.

E penso para comigo: Para amares mais! Este desejo vem de um olhar, do encontro, do estar. Vem do Amor crescente.

Aprender, tal como amar, não é um ato isolado. É talvez, uma espiral. E na interacção com os outros, surgem dúvidas, desafios, aprendizagens e discussões que nos levam a refletir e a procurar fundamentar o nosso raciocínio.

Sim. São dias cheios, mas também muito gratificantes! Por isso, é que o nosso ensino “doméstico”, tem muito pouco de “doméstico”…  e assim continuará, se Deus quiser!

E penso nas palavras do livro sapiencial de Eclesiastes

Tudo tem o seu tempo
Para tudo há um momento e um tempo para cada coisa que se deseja debaixo do céu:

tempo para nascer e tempo para mor­rer,
tempo para plantar e tempo para ar­ran­car o que se plantou,
tempo para matar e tempo para curar,
tempo para destruir e tempo para edi­ficar,
tempo para chorar e tempo para rir,
tempo para se lamentar e tempo para dançar,
tempo para atirar pedras e tempo para as juntar,
tempo para abraçar e tempo para evi­tar o abraço,
tempo para procurar e tempo para per­der,
tempo para guardar e tempo para ati­rar fora,
tempo para rasgar e tempo para coser,
tempo para calar e tempo para falar,
tempo para amar e tempo para odiar,
tempo para guerra e tempo para paz.

Ensino doméstico!?!

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O ensino doméstico (ED) ou homeschooling é algo estranho aos nossos ouvidos. Conheci o conceito pela primeira há apenas 3 anos. A minha primeira reacção foi de estranheza. Mas como acontece com muitas coisas na vida: primeiro estranha-se e depois entranha-se!

Várias circunstâncias levaram-me a uma curiosidade e motivação crescente, para saber mais, sobre o assunto.

Surpreendi-me com os estudos realizados nos EUA e no Canadá sobre os resultados (e sim, superiores também nas competências sociais!) dos estudantes neste regime de ensino.

Sinceramente, excedeu qualquer expectativa e quebrou muros de preconceito inicial. Este, foi um passo decisivo.

Em Portugal, o ED pode ser ainda incipiente mas a realidade, além fronteiras, é uma visão entusiasmante.

Mas não vejo o ED como alternativo. Alternativo a quê? À escola?

Existirá sempre o espaço da modalidade de ensino em regime escolar. Ele é, sem sombra de dúvidas, necessário. O ED não é uma modalidade de ensino exequível para a maioria das famílias, por várias razões.

Não tenho nada contra à escola. A escola pode ser um local maravilhoso. Felizmente, conheço escolas assim. Mas, numa grande maioria dos casos, em Portugal, não o são. São apenas sofríveis. Serão muitas as razões e algumas delas sobejamente discutidas. Mas pouco muda. E as mudanças não são apenas necessárias, são urgentes para salvar uma sociedade. Só que as mudanças escolares são apenas um pequeno fragmento do que é necessário mudar. É como querer tratar um doente, apenas pelos sintomas e não pela causa.

Ao que parece, e de forma crescente, os pais delegam a responsabilidade de educar os filhos ao estado e, pensamos que somos todos filhos de um Estado Maior e Todo-Poderoso. A iniciativa individual perde-se e desvaloriza-se numa massa homogénea de pensamento, atitude e decisão que se pretende cada vez mais e mais homogénea.

Seja por verdadeira necessidade, desconhecimento, orgulho ou ambição, isto ocorre. E, neste contexto, o ED é uma filosofia contra-corrente. O empowerment é dado à família e não ao estado.

Mas cada família não ignora, o que a comunidade alargada, acrescenta no processo de aprendizagem com vivências e ensinamentos enriquecedores. Seja, com exemplos positivos ou negativos. E talvez, por isso mesmo, os homeschoolers analisados nos estudos supra-citados, são mais participativos e ativos civicamente. Envolvendo-se em trabalho associativo e voluntário. Cresceram a aprender que a singularidade e as atitudes do indivíduo são muito importantes. Que todos somos diferentes com diferentes talentos para partilhar e que não somos uma massa social homogénea.

Mas dizia, o ED não é para mim, alternativo. Esse termo, parece-me minorar o que pode ser o ED. O ED é uma modalidade de ensino, uma oportunidade rica, única e singular de crescimento familiar e de uma comunidade inteira.

Respeito as opiniões contrárias, mas NÃO quero, fazer ensino doméstico por ter medo da influência da escola ou de outra coisa qualquer. Ou pelos resultados escolares, não tão bons, em comparação com os de ED.

A escola não me assusta, pelo contrário. E a minha ambição não é criar prodígios. A escola tem um peso, significativamente menor que a família. Quem pensa o contrário, desconhece o grande poder e influência que temos como pais. E esse poder e influência vem de algo muito simples: do amor. A família é o berço do amor. Mas o amor cultiva-se e temo que não são apenas com 5 minutos de “qualidade”. Essa é uma forma airosa de desculpar a nossa profunda ausência.

 

Eu, sim quero fazer ED. Porquê?

Porque… quero! Porque, todos queremos cá em casa. A decisão deixa-nos felizes. Mas não cegos. Sabemos que acarreta muitoooo trabalho, algum sacrifício mas muitas alegrias. Alegrias diárias com dificuldades maiores ou menores. Mas quando o caminho nos faz sentido, quando conseguimos olhar o futuro com confiança, tudo isso se contorna.

Este querer, é a principal razão. E é apoiada pelos resultados de uma profunda caminhada de 3 anos. Desde o desejo incipiente até uma certeza. Mas nenhum dos motivos desta escolha é o medo ou a desconfiança. Pelo contrário. E quando acharmos que não é este o caminho: rezamos sobre o assunto, ponderamos e analisamos a necessidade de mudança. E, o que for para mudar: muda-se!

Para quem pondera esta modalidade de ensino, é importante responder a esta questão. Porque é que quero o ED? A resposta modela a nossa forma de atuar e consciencializa-nos para os nossos valores e crenças. E tanto mais, se aquilo que pretendemos é o ensino doméstico católico (EDC). Vale a pena ler uma visão sobre o assunto aqui.

Viver é audácia! Abraços.

Caminhar e Crescer

Caminhar

Quaresma chega para convertermos o nosso coração. É uma caminhada alegre e renovadora. E a nossa 4ª feira de cinzas, foi um belo dia cheio da presença de Deus, entre amigos, entre famílias.

Iniciámos o dia com a Eucaristia e com a imposição das cinzas. As crianças mais velhas admiravam a cor roxa que estava na Igreja, nos paramentos e nos panos que tapavam as imagens. E sentiram-se tão crescidas por receberem as cinzas nas suas cabeças!

Felizes, no final da Missa, fomos ao trabalho! Nos clubes de famílias, fizemos caixas de oração para este tempo de Quaresma.

Cada caixa, forrada e embelezada, ao gosto de cada família, vai preencher os oratórios de cada lar, durante estes 40 dias. Todos os dias, retiramos uma intenção (das 40 que lá colocámos)  e, rezamos uns pelos outros. Esforçámo-nos para não nos esquecermos de ninguém.

Rezar a Deus por vivos e defuntos é pois uma das 14 Obras de misericórdia. Tal como nos diz S. Paulo na 1ª carta a Timóteo:

“Recomendo, pois, antes de tudo, que se façam preces, orações, súplicas e acções de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que estão constituídos em autoridade, a fim de que levemos uma vida serena e tranquila, com toda a piedade e dignidade.
Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, que quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade.”

1 Tm 2, 2-3

 

 

Dia de Reis e as nossas rotinas

passeio chuva 1

O dia de Reis, como é rotina cá em casa, começou cedo. As aprendizagens dão-se ao longo do dia. De modo geral, de duas formas: uma forma formal e estruturada e, de uma forma não formal e espontânea.

São vários os métodos de ensino-aprendizagem. Uns que se focam mais no estudante, outros no professor e conteúdos, outros no ambiente. Uns mais clássicos, outros menos. Uns mais globais, outros mais sintéticos.

Mas, o que realmente acho importante é ter um método eclético.

Por método eclético, quero dizer, um método que seleciona, de vários métodos, o que mais se adequa para os objetivos e interesses pedagógicos do momento. Sem perder de vista, a filosofia educacional que se pretende.

Para isto, acontecer, temos de conhecer alguns métodos, para os selecionar de acordo com o conteúdo ou competência a adquirir, mas mais importante, para a aprendizagem motivada da criança.

Mas, mesmo assim, é provável, que por vezes a educação da vontade, seja a única motivação possível! Ou seja, não me apetece mas … é o que devo fazer. E isto, é uma das aprendizagens mais importantes ao longo da nossa vida. E faz-se desde cedo:

– Mãe, afinal já não quero recortar.

-Pois, mas primeiro acabas de recortar o combinado e depois podes ir brincar.

Assim, ao longo do dia, com atividades e brincadeiras estruturadas ou simplesmente aproveitadas no momento, estamos sempre a aprender.

Retomando… o início do nosso dia 6 de janeiro, começou pela história dos Reis Magos. Para a dramatização usámos o presépio.

Aliás, o presépio foi o “brinquedo” preferido da minha filha de 2 anos neste Natal!

Ao longo deste tempo de advento e Natal, todas as personagens do presépio participaram nas brincadeiras diárias do faz de conta. O anjo, invariavelmente… voava (por magia de umas pequenas mãos) e o Menino Jesus recebeu muito colinho e canções de embalar!

De seguida, plantámos a seara do Menino Jesus e passeámos. Lembrei-me de um amigo holandês que nos dizia com graça (pelos portugueses não saírem com chuva): “Não somos feitos de papel!”😀

Mas, como estamos em Portugal, o nosso passeio com – pouca😉 – chuva foi acompanhado por uns belos raios de sol!

 

Um passeio com os dinossauros

pedreiras geral

Trabalhar num projeto é uma forma muito abrangente e versátil para adquirir conhecimento. Num projeto, o conhecimento e competências adquiridas são transversais a várias áreas. E estimuladas por diferentes formas de descoberta e exploração do saber.

Uma das vantagens é colocarmos os diferentes sentidos (tão importante na aprendizagem das crianças) nessa descoberta.

Um ponto de partida, pode ser um tema do interesse da criança ou um problema/tema apresentado de forma apelativa para despertar o interesse.

As crianças com a sua curiosidade natural depressa abraçam o projeto e as atividades propostas e/ou escolhidas.

Este projeto começou de forma espontânea e sem qualquer planeamento prévio. Surgiu de uma necessidade premente: uma saída próxima, para aproveitar uns tímidos raios de sol.

O principal objetivo (inicial) era desanuviar toda a família que durante três dias sofreu os efeitos de uma virose agressiva e que impossibilitou os planos desejados de um final de ano com os amigos.

Sem demoras, fomos visitar um local muito acessível com pegadas de dinossauros.

Foi apenas preciso uma questão:

– Quem quer descobrir um sítio com pegadas de dinossauros?!

-EU! EU!

E lá fomos nós!

Depois do passeio em família o interesse pelo tema despertou grandemente e a nossa filha de 5 anos que colocou várias questões.

  • Onde viveram os dinossauros?
  • Porque morreram?
  • O que comiam?
  • Eram maus?

Conversámos e explorámos alguns documentários na internet para responder às questões. Associou-se que a morfologia das diferentes espécies era diferente consoante a sua alimentação. Pescoços compridos eram necessários para chegar às folhas das árvores (como no caso das girafas), dentes e garras fortes eram necessários para os carnívoros.

Depois as crianças propuseram brincar ao faz de conta dos dinossauros. Cada um assumiu o papel da espécie que mais tinha gostado e a brincadeira começou! E terminou com um abraço coletivo entre dinossauros. Pouco realista… segundo a minha filha😀

Após o almoço e a sesta da mais nova, o pai realizou uma atividade plástica. Escolheram entre duas propostas:

– Querem tintas e uma tela para pintarem ou barro para fazerem dinossauros?

E assim, descobriram como se podem fazer dinossauros recorrendo ao que tinham aprendido, utilizando a imaginação e um pouco de barro.

 

E ainda houve vontade para fazerem dinossauros em lego.

 

E assim foi, uma boa parte, do nosso dia em família🙂